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Investimento em infraestrutura é oportunidade de superar a crise

21 dez , 2017

A retomada do crescimento do Brasil passa, necessariamente, por investimentos em infraestrutura. Ao menos dois motivos contribuem para isso. Primeiro, quanto maior o aporte de recursos nesse setor, mais dinheiro estará em circulação na economia e cresce a arrecadação de impostos. Segundo: estradas, portos e aeroportos eficientes se traduzem em produtividade.

Esse é também o entendimento da maioria da população. Uma pesquisa da Ipsos MORI sobre o tema aponta que para 76% dos brasileiros é fundamental investir em infraestrutura para o crescimento econômico do país. Oito em cada 10 entrevistados também consideram que projetos na área podem ajudar na criação de novos postos de trabalho, enquanto 73% concordam que o setor colabora para o crescimento econômico de longo prazo.

Atrair investidores é um desafio quando o país está em crise, já que o chamado Custo Brasil tende a crescer. Mas aumentar a qualidade da infraestrutura de transportes é justamente uma ferramenta para superar esse problema. “Ter estradas, portos e aeroportos funcionando diminui o Custo Brasil”, aponta o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires. Ele chama atenção para os benefícios aos cidadãos, que podem se deslocar mais facilmente, além de ampliar a oferta de emprego e impactar setores fortes da economia, como o agronegócio.

Para Pires, é necessário mudar a visão de que a infraestrutura é responsabilidade apenas do estado. O poder público deve fazer o trabalho de atrair novos investidores, do Brasil ou de fora, criar os marcos regulatórios para as concessões e fiscalizar a atuação das empresas, para que entreguem as necessidades dos usuários e do país.

Investimentos e modernização

O crescimento sustentável dos investimentos e a modernização no setor de transportes nos últimos anos têm garantido bons resultados. O Grupo CCR, por exemplo, aplicou, somente em 2016, R$ 4,028 bilhões em mobilidade e infraestrutura no Brasil, em modais como o rodoviário, metrô, VLT, barcas e aeroportuário. O grupo administra 10 estradas, quatro aeroportos, dois sistemas de metrô, um VLT e as barcas do Rio de Janeiro.

Harald Zwetkoff, presidente da ViaQuatro, empresa do Grupo CCR que administra a Linha 4 do metrô de São Paulo, aponta a importância do estímulo às parcerias entre setor público e o privado como alternativa à retomada do crescimento. “É urgente um esforço conjunto para repensar o posicionamento dos entes públicos, ampliando sua contribuição nos assuntos estratégicos, de promoção do crescimento e da produtividade, em especial com relação à evolução do modelo de concessões e parcerias público-privadas”, comenta.

A mesma orientação está no relatório do Banco Mundial de maio de 2017, que aponta que os países da América Latina têm grande potencial para aumentar as PPPs e contribuir para reduzir o déficit de infraestrutura. “Quando bem concebidas, as PPPs proporcionam maior eficiência e sustentabilidade aos serviços públicos. À medida que a região emerge de seis anos de desaceleração econômica, as PPPs podem ajudar a impulsionar os investimentos em infraestrutura e fortalecer o crescimento”, diz Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

 

Planejamento e aumento da produtividade

 

Entre as ferramentas para superar a crise está o aumento da produtividade. E com a retomada do processo de crescimento e a urbanização do país, o setor de transportes será fundamental, através da implantação de meios de alta capacidade. A integralidade dos sistemas será muito importante.

“Especialmente no setor de mobilidade urbana, os investimentos em melhoria da infraestrutura de transporte sobre trilhos são altos, mas a longo prazo auxiliam o país a superar a crise, pois representam economia em diversos setores da sociedade”, justifica Harald Zwetkoff.

É preciso levar em conta o planejamento da malha de transporte e a definição dos modais mais adequados para cada situação, o que ajuda na otimização dos investimentos. Isso faz com que os sistemas com menos capacidade, como táxis, micro-ônibus e ônibus, ajudem na capilaridade para alimentar os sistemas nos grandes corredores, como monotrilhos, VLTs, BRTs e metrôs.

Um bom exemplo disso está no Rio de Janeiro. A construção do VLT mudou a paisagem da região central, levou investimentos e melhorou a mobilidade urbana. Ele se conecta ao metrô e liga o Aeroporto Santos Dumont à Rodoviária Novo Rio. A cidade foi a que mais recebeu investimentos proporcionalmente em infraestrutura por causa da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Os eventos se foram, mas os benefícios ficaram para a população.

 

Fonte – G1

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